A Justiça de São Paulo autorizou a penhora de bens pessoais de João Appolinário, fundador e presidente da Polishop, em um processo que cobra uma dívida de R$ 24,9 milhões. A decisão busca assegurar o cumprimento do débito depois de várias tentativas frustradas de localizar recursos financeiros em nome do empresário.
O juiz Renan Jacó Mota, responsável pelo caso, determinou que bens registrados no nome de Appolinário sejam formalmente penhorados. A ação partiu da Versuni Brasil Ltda., empresa que tenta receber o valor reconhecido judicialmente.
Tentativas de bloqueio falharam antes da decisão judicial
Antes de autorizar a penhora, a Justiça tentou outros caminhos para garantir o pagamento. Entre eles, houve bloqueios de contas bancárias e buscas por ativos financeiros por meio de sistemas oficiais. No entanto, essas iniciativas não trouxeram resultados relevantes.
Em uma das tentativas realizadas pelo sistema BacenJud, por exemplo, foram encontrados apenas R$ 30 nas contas do empresário. Diante desse cenário, o magistrado entendeu que seria necessário avançar para medidas mais amplas.
Com a nova decisão, a Justiça autorizou a penhora de imóveis residenciais pertencentes a João Appolinário, localizados em áreas valorizadas da cidade de São Paulo. A expectativa é que esses imóveis abriguem bens de alto valor capazes de contribuir, ao menos parcialmente, para a quitação da dívida.
Um oficial de Justiça, acompanhado por um representante da parte credora, deverá comparecer aos endereços para registrar formalmente a penhora. Advogados da Versuni defenderam que o padrão elevado dos imóveis aumenta a chance de encontrar itens relevantes para o pagamento.
Esse tipo de medida costuma ocorrer quando o credor não consegue localizar recursos suficientes por meios tradicionais. No direito brasileiro, a penhora funciona como uma garantia para débitos reconhecidos judicialmente.
Situação financeira da Polishop agrava o cenário
A decisão ocorre em um momento delicado para a Polishop. A varejista entrou em recuperação judicial em 2024, após acumular dívidas que somam centenas de milhões de reais junto a bancos e outros credores.
Desde então, a empresa fechou dezenas de lojas físicas em todo o país. Além disso, enfrenta ações judiciais relacionadas a questões trabalhistas, contratos de aluguel e compromissos financeiros não cumpridos.
Embora o processo atinja o patrimônio pessoal de Appolinário, ele se conecta diretamente ao ambiente de crise enfrentado pela companhia que ele fundou.
O que muda para João Appolinário a partir de agora
Mesmo com a autorização da penhora, João Appolinário ainda pode recorrer da decisão. A defesa pode questionar aspectos processuais ou alegar falta de proporcionalidade na medida adotada.
Ainda assim, a determinação judicial aumenta a pressão sobre o empresário e sinaliza que os credores pretendem utilizar todos os instrumentos legais disponíveis para recuperar os valores devidos. Um eventual acordo também segue como alternativa para evitar o avanço da execução.

