18.07.2025 19H40
O Studio Ghibli, fundado em 1985 no Japão por Hayao Miyazaki, Isao Takahata, Toshio Suzuki e Yasuyoshi Tokuma, construiu uma reputação sólida ao longo de quase quatro décadas. Com mais de vinte animações lançadas, o estúdio se tornou um ícone mundial graças ao seu traço artesanal em 2D e histórias carregadas de simbolismo. Entre essas produções, “A Viagem de Chihiro” se destaca não apenas pela profundidade do enredo, mas também por ter conquistado o Oscar de Melhor Animação, sendo a primeira obra do gênero em língua não inglesa a alcançar esse feito.
Diante desse legado, não é surpresa que o Studio Ghibli tenha servido de referência para grandes nomes da animação mundial. Um exemplo claro disso é a Pixar, que se inspirou diretamente na estética e nos elementos narrativos do estúdio japonês para desenvolver o filme “Luca”, lançado em 2021.
Dirigido por Enrico Casarosa, “Luca” acompanha as aventuras do jovem protagonista homônimo e seu inseparável amigo Alberto. A história se desenrola em um verão inesquecível na costa italiana, onde os dois conhecem Giulia, uma garota destemida e cheia de energia. Enquanto exploram a cidade, se deliciam com a culinária local e vivem intensamente, escondem um segredo: sob a pele humana, os garotos são criaturas marinhas.
Grande parte da trama acontece em Portorosso, uma cidade fictícia baseada nas vilas pitorescas da região de Cinque Terre, no norte da Itália. Segundo Casarosa, o nome do local presta homenagem direta à animação japonesa “Porco Rosso: O Último Herói Romântico”, lançada pelo Studio Ghibli em 1992. Assim como o personagem-título do longa japonês, Luca e Alberto vivem entre dois mundos, carregando a dualidade entre o humano e o fantástico.

Entrevista
Durante entrevista ao jornal O Globo, Casarosa explicou:
“Portorosso é como se fosse a sexta vila de Cinque Terre. A gente misturou elementos de todas elas. O molho pesto, por exemplo, é uma marca da região e aparece com destaque no filme, assim como a vida no porto e a relação dos moradores com o mar.”
Além disso, outro aspecto que aproxima “Luca” das obras do Studio Ghibli é a representação das personagens femininas. Em vez de retratar figuras frágeis ou dependentes, o longa da Pixar aposta em protagonistas fortes, independentes e cheias de personalidade. Giulia, com sua curiosidade e coragem, segue a mesma linha de personagens como Chihiro, Sophie e San, figuras emblemáticas das produções japonesas.
Com uma narrativa leve, visual encantador e claras influências do cinema asiático, “Luca” está disponível para streaming no catálogo do Disney+. Uma opção imperdível para quem aprecia histórias tocantes e visuais inspiradores.