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Warner avalia proposta da Paramount como superior à da Netflix

A disputa bilionária pelo controle da Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo. Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, o conselho da Warner Bros. Discovery informou que a proposta revisada apresentada pela Paramount Skydance supera, neste momento, o acordo firmado anteriormente com a Netflix.

Com isso, a empresa ativou uma cláusula contratual que concede quatro dias úteis para a Netflix revisar seus termos e tentar igualar ou ultrapassar a nova oferta. Caso isso não aconteça, a Warner poderá rescindir o contrato atual e avançar com a proposta considerada mais vantajosa.

Segundo o comunicado oficial, a notificação formal já ocorreu. Além disso, o conselho destacou que, após o período de quatro dias, avaliará eventuais revisões com apoio de consultores financeiros e jurídicos independentes. Portanto, se a proposta da Paramount continuar superior, a companhia poderá encerrar o acordo com a Netflix.

Detalhes da nova oferta da Paramount Skydance

A nova proposta prevê pagamento de US$ 31 por ação. Além disso, inclui um adicional de US$ 0,25 por ação a cada trimestre a partir de 30 de setembro de 2026. Esse mecanismo aumenta o valor potencial da operação ao longo do tempo.

Outro ponto relevante envolve a taxa de rescisão regulatória. A Paramount oferece até US$ 7 bilhões caso órgãos reguladores impeçam o negócio. Adicionalmente, a empresa se compromete a cobrir a multa de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de pagar à Netflix caso rompa o contrato vigente.

Apesar disso, a Warner ainda recomenda oficialmente o acordo com a Netflix. No entanto, essa orientação pode mudar se a plataforma não apresentar uma contraproposta competitiva antes da assembleia de acionistas, marcada para 20 de março.

A Netflix anunciou anteriormente um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery em uma das maiores transações da história do entretenimento. A operação combina dinheiro e ações, avaliando a empresa em US$ 27,75 por ação.

No total, o valor empresarial da negociação se aproxima de US$ 83 bilhões, com cerca de US$ 72 bilhões destinados aos acionistas. Assim, a movimentação pode redefinir o equilíbrio de forças no setor global de mídia.

Se concluir o negócio, a Netflix incorporará ativos estratégicos, incluindo a marca HBO e o serviço HBO Max, além de estúdios e franquias consolidadas no cinema e na televisão.

O que muda na estratégia da Netflix

Historicamente, a Netflix cresceu com produções originais e acordos de licenciamento. Entretanto, essa aquisição representa uma virada estratégica. A empresa passaria a controlar grandes estúdios de Hollywood e ampliaria sua presença no circuito tradicional de cinemas.

Além disso, o estúdio da Warner poderia manter lançamentos nas salas de exibição com janelas tradicionais, adotando um modelo híbrido entre cinema e streaming. Dessa forma, a Netflix expandiria seu alcance sem abandonar o modelo digital que a consagrou.

Congresso e autoridades antitruste acompanham o caso

A possível fusão despertou atenção em Washington. Parlamentares e produtores independentes solicitaram análise rigorosa sob a ótica antitruste. Eles argumentam que a concentração de mercado pode afetar concorrência, distribuição e relações trabalhistas no setor audiovisual.

Entre os nomes que se manifestaram publicamente estão o deputado Darrell Issa, que enviou carta às autoridades federais pedindo maior escrutínio. O documento foi direcionado à procuradora-geral Pam Bondi, ao presidente da FTC Andrew Ferguson e à chefe da divisão antitruste do Departamento de Justiça, Gail Slater.

Enquanto isso, a Paramount também questionou a condução do processo. A empresa acusou a Warner de favorecer a Netflix durante as negociações iniciais. Portanto, o ambiente competitivo se intensificou, tanto no mercado quanto no campo político.

O que acontece agora?

A Netflix ainda pode apresentar uma contraproposta dentro do prazo estabelecido. Caso ofereça termos mais atrativos, o conselho da Warner poderá manter o acordo atual. Por outro lado, se não houver revisão suficiente, a empresa deverá encerrar o contrato e avançar com a Paramount.

Em qualquer cenário, a operação dependerá de aprovação regulatória. Esse processo pode se estender até 2026, especialmente diante do atual rigor das autoridades americanas em fusões de grande porte.

Assim, o mercado acompanha atentamente cada movimento. Afinal, o desfecho dessa disputa pode redesenhar o setor global de streaming e entretenimento.

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