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Governo federal recua no aumento de impostos para eletrônicos

O governo federal voltou atrás na decisão que elevaria as tarifas de importação para diversos produtos de tecnologia. Nesta sexta-feira (27), o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) anunciou a revogação do reajuste que atingiria equipamentos de informática, eletrônicos e bens de capital.

Com isso, as alíquotas de importação retornam aos patamares anteriores para categorias como notebooks, SSDs, placas-mãe e smartphones. A medida responde à forte reação do setor produtivo, do varejo e dos consumidores, que temiam alta imediata nos preços.

Além disso, o governo anulou o aumento que poderia acrescentar até 7,2 pontos percentuais na taxação de determinados itens. Agora, 105 produtos voltam a ter tarifa zerada, enquanto 15 categorias de informática e telecomunicações retomam as alíquotas antigas.

A decisão traz alívio direto para o mercado de hardware, especialmente para montadores de computadores, gamers e profissionais que dependem de equipamentos de alto desempenho.

Inicialmente, o plano previa aumento na tributação de diversos dispositivos. Smartphones, por exemplo, saltariam de 16% para 20%. No entanto, com o recuo, o governo restabeleceu as seguintes alíquotas:

Dessa forma, o mercado evita um reajuste imediato que poderia impactar tanto o consumidor final quanto pequenas empresas de montagem e assistência técnica.

Governo buscava reforçar arrecadação e proteger indústria nacional

O Ministério da Fazenda defendia o aumento como forma de proteger a indústria nacional. Segundo dados apresentados anteriormente pela equipe econômica, as importações de bens de capital e informática cresceram cerca de 33,4% desde 2022.

Além da proteção industrial, o governo também projetava arrecadar aproximadamente R$ 14 bilhões extras em 2026 com o reajuste tarifário. Portanto, o recuo pressiona ainda mais o desafio fiscal para os próximos anos.

Mesmo assim, diante da repercussão negativa e do risco de encarecimento generalizado dos produtos tecnológicos, o Gecex optou por rever a medida antes da entrada em vigor plena.

Mercado reagiu com críticas ao aumento de impostos

Representantes do varejo e importadores argumentaram que a indústria nacional não possui capacidade para atender toda a demanda interna, principalmente no segmento de componentes de alta performance.

Por isso, segundo o setor, o aumento poderia reduzir a competitividade, atrasar a atualização tecnológica e estimular o crescimento do mercado informal. Além disso, o consumidor sentiria o impacto direto no bolso, especialmente em um cenário de câmbio volátil.

Atualmente, a variação do dólar já representa o principal fator de pressão sobre itens como placas de vídeo e processadores. Caso as tarifas subissem, o efeito seria acumulativo.

O que muda agora para o consumidor

Na prática, o recuo impede um aumento imediato nos preços de eletrônicos importados. Contudo, isso não significa queda automática nos valores, já que o câmbio e os custos logísticos continuam influenciando a formação de preços.

Ainda assim, a manutenção das alíquotas anteriores preserva a competitividade do mercado formal e reduz o risco de desabastecimento em segmentos específicos de hardware.

Por fim, o governo mantém a meta fiscal como prioridade. Entretanto, sem a arrecadação adicional prevista, a equipe econômica precisará buscar alternativas para equilibrar as contas públicas.

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