24.01.2026 22H26
O avanço da cooperação militar entre China e Rússia passou a ocupar posição central nas análises estratégicas da Otan. Nesta semana, o comandante supremo aliado da organização na Europa, Alexus Grynkewich, afirmou que a aproximação entre as duas potências representa um desafio crescente para a segurança internacional.
De acordo com o general da Força Aérea dos Estados Unidos, a aliança acompanha esse movimento há anos. No entanto, o ritmo recente das ações conjuntas elevou o nível de atenção dos países membros, especialmente em regiões consideradas sensíveis.

Segundo Grynkewich, a cooperação sino-russa se tornou mais visível tanto no domínio marítimo quanto no aéreo. As duas nações ampliaram patrulhas navais conjuntas e intensificaram missões aéreas com bombardeiros de longo alcance, o que demonstra maior alinhamento estratégico.
Além disso, essas operações frequentemente ocorrem em áreas próximas ao espaço de atuação da Otan. Esse fator reforça a necessidade de monitoramento constante e ajustes na postura defensiva da aliança.
Ártico ganha papel central na estratégia de defesa
Outro ponto destacado pelo comandante diz respeito ao Ártico, região que, nos últimos anos, ganhou relevância estratégica no cenário global. Com isso, o derretimento das calotas polares e, consequentemente, a abertura de novas rotas marítimas passaram a atrair, de forma crescente, o interesse de grandes potências.
Diante desse cenário, a Otan avalia, de maneira contínua, formas de fortalecer sua presença e aprimorar a coordenação no extremo norte. Para Grynkewich, os países aliados precisam atuar de forma integrada e consistente, a fim de garantir maior estabilidade e previsibilidade em uma área considerada cada vez mais sensível.
Groenlândia e política dos EUA entram na equação
Enquanto isso, o cenário político também influencia as discussões estratégicas. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu ao recuar das ameaças de usar tarifas comerciais como forma de pressão sobre a Groenlândia. Nesse contexto, o líder americano afastou a possibilidade de uso da força e, além disso, sinalizou que um acordo pode colocar fim à disputa envolvendo o território dinamarquês.
Apesar dessa mudança de tom, a Otan segue cautelosa. Por enquanto, a aliança aguarda definições mais concretas sobre os próximos passos. Segundo o almirante Giuseppe Cavo Dragone, o bloco espera orientações claras antes de promover qualquer ajuste em seu posicionamento estratégico na região.
Aliança busca adaptação diante de um cenário global em transformação
Diante da aproximação entre China e Rússia, somada às incertezas geopolíticas no Ártico e no Atlântico Norte, a Otan reforça a necessidade de adaptação constante. A aliança busca preservar o equilíbrio estratégico e responder de forma coordenada a um ambiente internacional cada vez mais complexo.
Fonte: Uol